sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A casa assombrada do Lageado


A casa assombrada do Lageado (Piên – Lageado - 2011)

Esse fato aconteceu há uns vinte anos atrás no Lageado: Em uma casa morava uma família e ocorreu que certo dia as coisas dentro dessa casa começaram a se mexer:
        A mulher estava lavando louça quando o armário abriu uma das portas. Ela viu e ficou olhando pensando ser algum bicho ali dentro. Como não aconteceu mais nada, fechou a porta do armário e continuou lavando a louça. A porta abriu novamente. Quando se virou para olhar dentro, um copo de vidro saiu voando quase acertando sua testa e se espatifando na parede do outro lado da cozinha. A mulher saiu apavorada de dentro de casa e só entrou depois que o marido chegou do serviço.
       Depois daquele dia todas as coisas de dentro da casa começaram a se mexer. Tampas de panelas começaram a dançar no meio da cozinha. Quando a dona da casa colocava feijão para cozinhar, a panela saia pulando do fogão e caía no chão derramando tudo. Um dia o homem da casa foi se sentar numa cadeira e ela saiu correndo da cozinha para a sala. O homem levou tamanho susto que não queria mais entrar dentro da sua própria casa.
Chamaram um benzedor muito bom, que corria a sua fama para além do Lageado. Chegando na casa começou a fazer seus trabalhos de benzedeiro quando, estava para passar por uma porta, esta se fecha tão rápida e violenta que acerta em cheio a cara do coitado arrebentando-lhe o nariz. Nunca mais ele voltou lá!
        Outra vez, a mulher estava para receber em casa um padre muito valente e acostumado com esse tipo de serviço, e colocava pedriscos num vaso grande para deixa-lo no canto da sala. Não agüentando mais toda aquela tormenta por causa dos moveis se quebrando a toda hora, por isso, achou melhor deixar a sala um pouco mais bonita. Quando estava para terminar, as pedrinhas simplesmente começaram a sair do vaso como se ele estivesse transbordando. A diferença era que as pedrinhas não estavam caindo do vaso e sim rolando para fora dele. Foram tomando conta de todo o chão da sala. De repente o padre entra e as pedrinhas que estavam pelo chão, num piscar de olhos, voaram para o teto e grudaram lá em cima.
    O padre pediu que a mulher se retirasse e começou seu trabalho de exorcismo quando, todas as pedrinhas voaram no padre grudando nele como sanguessugas, cobrindo todo seu corpo. O padre começou a gritar por socorro porque tinha pedrinhas entrando nos seus olhos, ouvidos, boca, na bunda... Saiu correndo terreiro à fora e despencou numa ribanceira. Lá em baixo os pedriscos deixaram o pobre homem e ele nunca mais voltou.
     E assim tudo o que tinha dentro da casa se mexia e saía do lugar a qualquer dia e qualquer hora.
   Benzedeiros, padres, espíritas, bruxos, pastores e uma infinidade de religiosos passaram por lá, mas o tormento continuava. Um judeu tentou pronunciar uma leitura e sua moeda que estava no bolso da calça tampou-lhe o gogó. Um budista japonês tentou recitar uma lei do Buda e acabou engolindo o livreto. Um indiano tentou queimar uma varinha de incenso, mas saiu tanta fumaça daquela varinha que quase matou a ele e toda a família asfixiados.
Já se ia quase seis meses, quando um velhinho de 88 anos atravessa a rua e se põe a olhar para dentro da casa. Como o velho não chamava ninguém, foram lá ver o que ele tanto olhava. Então contou para a família a seguinte história:
       - Muito antes de vocês virem morar nessa casa, havia um homem cruel por demais que, cada vez que resolvia educar um filho, acabava por tirar-lhe a vida de tanto bater. A mulher não conseguia defender os filhos. Sempre acabava apanhando também. Naquele tempo o lugar era de mata virgem. Até os índios não queriam saber do homem. A mulher teve 12 filhos. Ele matou 11. A mulher vendo que mais dias, menos dias seu caçula logo levaria a surra de morte, fugiu e nunca mais foi vista por ninguém, nem pelos índios da mata. Mas o homem cruel ficou ali até morrer. E foi enterrado no fundo do seu quintal junto com os outros 11 que ele tinha espancado até a morte.
Perguntaram ao Ancião como fariam para se livrar dos espíritos das crianças e do homem que assombrava a casa. O velho respondeu que não tinha nada a ver com aquela gente enterrada, e sim com os espíritos malignos que por causa do acontecido, e por causa do cervo do “coisa ruim” (que era o pai cruel), eles estavam ali para confundir e acabar com toda a família plantando discórdia, pancadaria e medo. Então, antes de se despedir, o velho deixou uma receitinha:
      - Contra essa corja de demônios vocês têm que pedir somente a Deus. Rezar somente a Deus. Não pode ser nem ter pessoas diferentes na casa. Somente a família. Reúnam-se sempre no lugar mais sagrado da casa que é a mesa da ceia. Ajoelhem como se estivessem diante Dele. Falem em voz alta como se fosse no ouvido Dele.
       O velho sábio foi embora e a família pôs em prática todos os dias tudo o que ele dissera. No cabo de uma semana a casa estava livre, leve e serena como um templo.

Con.te.vi!

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