sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Lobisomem Comeu

O Lobisomem Comeu


O Lobisomem Comeu (Piên – Poço Frio – 2011)

   A mais ou menos uns dez anos atrás, um fato chocou a localidade de Pocinho.
   Um fazendeiro tinha um funcionário que cuidava da sua plantação e dos animais. Esse funcionário morava atrás do paiol em uma casinha que ele mesmo fez, caindo aos pedaços, e se recusava a morar em outra casa melhor, o patrão fazia de tudo para que ele saísse daquela choupana velha e fosse para uma de suas casas que era de alvenaria, branquinha, limpinha. Mas ele não queria e pronto. O funcionário era muito trabalhador e se dava muito bem com todos na fazenda, por isso o patrão gostava muito dele, mas não concordava de ele viver sujo e isolado daquela maneira.
     Certo dia estava o patrão indo falar com seu funcionário lá por 10 horas da noite, quando percebeu que este saía de casa agachado entre as moitas do mato se ia sumindo. O patrão desconfiado correu atrás para ver o que o funcionário estava aprontando, mas quando chegou em uma clareira perdeu o homem de vista.
     Quando virou para sair dali, deu de cara com um lobisomem com mais ou menos dois metros e meio de altura. O patrão reconheceu que era seu funcionário porque o lobisomem estava vestido com a camisa que o homem costumava vestir sempre. Apavorado, o patrão gritou o nome de seu funcionário e saiu correndo se chocando com tudo quanto é árvore e moitas do matagal. Num tropeção se estatelou numa poça de lama. Tentou levantar mas sentiu que suas pernas estavam presas pelo tornozelo que apertava tanto que quase as quebrava. Olhando para cima viu dois olhos enormes amarelados bem na frente de seu rosto.
      Passou pela sua idéia que era o lobisomem que segurava suas pernas, não deu mais tempo: Duas garras enormes lhe abriram o peito e comeu tudo o que tinha ali dentro.
    No outro dia cedo, a mulher do patrão não encontrando ele em casa, foi perguntar para o funcionário se por acaso o tinha visto. O homem mentiu dizendo que não sabia onde estava o patrão, mas mentiu tão mal que a mulher ficou desconfiadíssima, ela saiu dali prometendo que iria tirar aquela história a limpo e descobrir a verdade.
Pelas seis da tarde convocou todos os empregados da fazenda, mandando que se armassem com o que pudessem: armas de fogo, apás cortadeiras, machados, porrete, facão..., e saíssem à caça da criatura que causou aquela atrocidade com seu marido!
    Quando todos se deslocavam mato a dentro, chamou um moço que era de sua maior confiança e cochichou-lhe aos ouvidos que ficasse de olhos bem abertos quanto ao capataz da fazenda, e o não perdesse de vista nem por um minuto! O qual o moço prometeu-lhe e se foi. A caçada durou a noite toda, até que amanheceu o outro dia, mas...
     Naquela madrugada o lobisomem entrou no quarto da mulher arrebentando a janela que ficava no terceiro andar. A mulher não teve tempo nem de gritar, pois o lobisomem também arrebentou seu peito e comeu tudo o que tinha ali dentro.
    O filho caçula do casal viu quando o lobisomem saiu e também percebeu a camisa que ele vestia. Era justamente a do funcionário da fazenda.
   Na época tinha dezesseis anos. Agora está com vinte e seis. Perguntado sobre o nome do funcionário, não quis falar. Perguntado sobre seu nome, também não quis comentar.

Con.te.vi!


Nenhum comentário:

Postar um comentário