quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Minha história encantada




Minha história encantada (Piên – Cochoeirinha - 1965)

Uma tarde de verão, era umas seis horas quando o sol já ia se pondo, resolvemos descer no tanque eu, a Zélia, a Leoní, o Paulo e o Pedro.
As cigarras e os sabiás ainda estavam cantando (era muito bonito); o nosso mato era fechado e a noitinha era já escura dentro dele.
Nós chegamos na barraquinha onde havia uma nascente do tanque. Ali também era rico em argila. É um barro branco que nós tirava e fazia tigela, panela, caneca. Secava ao sol e brincava.
Acontece que naquela tarde, de repente ouvimos um barulho e um reflexo luminoso que vinha em nossa direção. Imediatamente eu gritei – subam na árvore! - A Zélia subiu mais alto, a Leoni até a metade e eu arquei uma aroeira para subir o Paulo e o Pedro. Nós ficamos ali quietinhos.
Foi se aproximando aquele homem que era tão alto, mas tão alto que a Zélia, que subiu no galho mais alto, dava pelo seu nariz.
Era um esqueleto só. Quase todo de ossos à mostra não fosse pela pele ressecada e toda esticada. Um nariz ossudo e comprido que dava asco só de olhar. Em roda dele havia um reflexo branco que doía nossos olhos. Passou a par da nossa árvore e depois de três passos foi sumindo.
Descemos daquela árvore e voltamos correndo para casa tentando explicar da melhor maneira possível a aparição, mas ninguém sabia o que era aquilo. Minha mãe, fazendo calar o alvoroço, contou que logo adiante daquelas mesmas árvores havia três sepulturas dos bugres. Quando chegava o dia das almas, no mês de novembro, vinham os bugres visitar seus entes queridos que tinham enterrado naquele lugar trazendo flores e velas. Mas aquele esqueleto que nós vimos sumiu dalí. Então era um mistério..., alguns diziam que ali os bugres haviam enterrado algo precioso, outros, sempre adultos, ficavam surpresos e cheios de receio...! Que tinha algo estranho, tinha.
Com o passar dos tempos, o mato que era tão fechado, foi sendo desmatado. Na época tinha tantos bichos, barulhos, visagens e assombrações, que seguido as crianças vinham correndo assustados. Os adultos então, já haviam seguido coisas estranhas por todos os cantos da mata.
Na nossa imaginação de criança, sempre pensava-mos que era panelada de ouro que estivesse em algum canto do matão, ou alguma recompensa misteriosa das fadas que os antigos contavam. Só que nunca ninguém teve coragem de afundar mato adentro para procurar.
Fica na lembrança as coisas lindas de criança que vivemos e passamos quando estava-mos todos juntos lá em casa. (Saudades que não volta mais).
(Doris)

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