quarta-feira, 25 de junho de 2014

A estranha caçada (dum tatu?)


Saíram dois amigos para caçar num lugar onde tinha muitos tatus. E naquela época, as famílias comiam muita carne de bichos, mesmo porquê não era proibido caçar.
A maioria era colono e muito pobre. Então o jeito era caçar para trazer carne para a família.
E lá se foram por horas no meio da capoeira. Os dois cachorros que iam na frente já latiram adiante num buraco onde o tatu estava jogando terra pra fora.
Quando Pedro e João chegaram perto, o bicho sumiu, e... só escutaram um gemido dentro do buraco. Os dois amigos se arrepiaram mas não manifestaram nada um para o outro, e continuaram a caçada. Caminharam mais um pouco e os cachorros encontraram mais uma toca de tatu. Ai deu o que falar! Ali naquele buraco os cachorros, mostrando determinação, cavocaram fundo e de repente..., outro gemido e grito! (parecia ser de gente?). O João engatilhou a espingarda, enfiou o cano na garganta do buraco e atirou. O bicho - que era grande - saltou fora pelo outro lado do buraco como um corisco negro e sumiu novamente. E os amigos, um junto do outro, aconteça o que acontecer!
Mas já notaram que não se tratava de um tatu. Era algo diferente porque dentro daquele buraco, que haviam atirado, alguma coisa começou a gemer e a gritar igual gente. Então, naquele momento, o bicho que havia sumido pelos ares da mata, de repente volta! Apareceu de pé em frente deles! O tatu enorme que sumiu tão rápido quanto apareceu, agora se mostrava em pé diante deles. E começou a crescer. E começou a mudar. Até que..., era uma mulher toda de preto-cinza, alta, bem alta, toda ensanguentada e gemia.
Aí os amigos, um olhou para o outro como que dissessem, “vamos sair daqui?” Os cachorros chiavam em roda deles de medo. Deram as costas para a mulher esquisita e morrendo de medo começaram a correr desesperados pela mata. Mas quem diz que achavam a saída? Estava perdidos!
Já era final da madrugada, quase amanhecendo. Cansados, sujos, suados e assustados quando encontraram a estrada, mesmo assim ainda escutavam os gritos ressoando ao longe.
Ninguém descobriu ou soube explicar o que era aquilo, e ainda hoje não há explicação para o fato, mas quem conta jura que o que se passou é verdade, pois essa é uma história de verdadeiro respeito.

(Doris.)

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