quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Viva Cada Dia Como Se Nascesse Hoje!



       Sabe aquela frase “viva cada dia como se fosse o último”? Pois é. Pensando no último dia de nossas vidas, aquela em que você tem total consciência de que o que foi feito fez. O que é pra ser feito, não fará mais. O que continuará para o futuro, não será feito pelas suas mãos. O que resta então? Viver seu último dia em paz, terminá-lo em paz.
        De repente, algumas coisas que não tinham valor nenhum, durante a vida toda, nessa hora tornam-se de um valor absurdo, mas não avança mais que isso, pois não há mais tempo. Basta o reconhecimento por si só, então, tenha paz.
        Poderia eu divagar no tema por horas, mas prefiro ser mais breve, pois o presente que estou vivendo é o agora. E é esta dádiva que devo valorizar. O meu presente. O meu agora. A minha vida neste momento. E com certeza não viverei ele como se fosse meu último,
        Deus nos recomendou dizendo assim: não penseis no vosso futuro, pois ele está na minha mão. Eu sou o Deus do já. Eu sou o agora. Concluindo, o futuro garantido por Deus, é na verdade os vários presentes que temos vividos todos os dias, em todos os momentos. Vivendo esses dias bem, Deus nos dará das suas mãos (confirmará) um futuro bom, vivendo esses dias não muito bem, Deus nos dará das suas mãos (confirmará) um futuro mau.
        Proponho uma nova frase: “viva cada dia como se fosse seu primeiro, pois todos os dias você acerta”.
Descobrindo tudo, vendo tudo, sentindo tudo: Comesse seu dia com um berro, um grito de liberdade. Abra os braços como que se quisesse alcançar os céus. Espreguisse-se e dispare um gemido bem alto. Aí verás e sentirás que o nascimento do seu dia presente será uma dádiva a ser zelada, e um futuro a ser ganho com requintes.
        Agora, se começar seu dia como um que já acabou, pensando que não haverá mais nada depois dele, nem outro dia, nem futuro... Querer resolver tudo no desespero pensando que o hoje é curto demais para se perder tempo, então não haverá como zelar de nada que aconteça a cada momento, o futuro será incerto sempre, e ganho...?(que requinte?).

        Uma lenda nos ensina que um poderoso monarca, cuja glória não havia reino que rivaliza-se, nem poder e majestade que se iguala-se, sendo ele humano como todos os demais na terra, entediava-se dos seus vultosos dias. Nada lhe chamava atenção, nada lhe causava curiosidade, nada lhe transmitia alegria, seus mais ínfimos desejos, ou seus mais poderosos mandos eram satisfeitos quase que instantaneamente sem que se tivesse um mínimo de esforço de sua parte. As belezas do reino, toda a sua glória e majestade que deixava os súditos e visitantes boquiabertos, não lhe significava nada, Um pássaro colorido voando e cantando ou uma cachoeira de águas cintilantes, repletos de dourados, para ele não lhe servia para cousa alguma. Vivia cada dia da sua vida moribundo, triste, totalmente avesso aos acontecimentos, sem vontade da vida.
        Começou a cair em si a verdadeira inutilidade do seu ser, sem que pudesse fazer nada. Começara a enlouquecer!
        Num dos seus dias de asseio, o barbeiro particular fazia-lhe a barba e ele sem nem pensar direito o que dizia, deu-lhe uma ordem: “daqui uns dias, qualquer dia que queira, quando estiver fazendo minha barba, ou aparando meu bigode, ou ainda retocando as beiras do cabelo, corte-me a garganta, por favor”.
        Uma ordem poderosa, dada por alguém poderoso! Nunca nem jamais poderia ser desobedecida!
        Conforme os dias foram passando, o poderoso monarca não se preocupava com a ordem que dera, pois sabia que não se cumpriria de imediato. Conforme foi-se avançando os dias, para cada vez que chegava o barbeiro para fazer-lhe os bigodes, ou outro dia para retocar-lhe a barba, ou ainda mais outro dia para tirar-lhe os pelos do nariz e das orelhas..., mais preocupado ficava. Começou a perguntar para si mesmo se seu dia não seria hoje, ou se não veria o amanhã? Quanto mais os dias passavam, mais se arrastava em sua angustia de esperar o dia próximo.
        O monarca começou a notar seus dias. Vivia cada um como se tivesse “nascido de novo”, e dava graças por poder ver o que antes não via, sentir o que antes era tudo morto. Pela manhã quando via um passarinho voando perto de sua janela, corria para apreciar suas cores, seu bater rápido de assas, seu canto formidável. Detinha-se tempo contemplando o curso dos bandos. Um desses dias passeando pelos bosques, não deixava de notar a exuberância das árvores, o esplendor das matas e penhascos, o frescor e aroma do vento. Até que encontrou aquela cachoeira! Fascinou-se pelo brilho das águas que lhe segava os olhos, pela fartura de vida e belezas sem igual que vivia dentro e ao redor daquela cachoeira cintilante..., então chorou! Descobriu que descobria um mundo maravilhoso que nunca notara! Entendeu que nascia a cada dia descobrindo novas e novidades a cada momento em que respirava. Assim revivia (renascia) todos os dias.
        Então tudo se inverteu, pois não queria mais morrer. Ansiava por viver mais aquele dia, por viver mais dias. Agonizava-se quando o barbeiro vinha com a navalha em riste tocando seu pescoço. Mesmo dando nova ordem para que este jamais lhe cortasse a garganta, a angustia da dúvida lhe consumia.
        Tratou de trocar de barbeiro, e passou a valorizar a vida, dar valor aos pequenos atos de sua existência como nunca tivera feito antes.

Eber

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